terça-feira, 11 de novembro de 2014

No Castelo de Nassau



No Castelo de Nassau



Arquétipos e lembranças ficam internalizados e eternizados nas pessoas, nas comunidades, e nos grupos. Nas origens de povos e de populações, em suas colonizações, e em suas organizações. E os comportamentos se repetem sem serem notados ou percebidos. Uma história repetitiva contida em cada um, e em cada grupo, em cada organização. Sendo necessária uma observação, e uma analise para perceber os modos e critérios de repetição. A Terra gira e repete com seus movimentos os momentos: de dias e de noites, de invernos e verões, de outonos e primaveras. Momentos de equinócios e solstícios. “Bipolaridade do mundo” (Jornal de Hoje – Natal/RN em 03/set/12).

Como muitos sabem, e por muita das vezes já citado em textos anteriores. A Holanda tem por característica ser um território abaixo do nível do mar. É conhecida também por se classificada, como países baixos. Um território protegido por diques para que as águas do mar não invadam e ocupem seus espaços territoriais. Moinhos aproveitando a energia produzida pelos ventos bombeiam constantemente, a água que invade seu território.

Os holandeses não veem o horizonte. Fica oculto pelos diques acima de suas estaturas. Pintores holandeses raramente colocam em suas telas um horizonte, ou algo distante. Fazem a opção de retratar desenhos com pouca profundidade, como ambientes domésticos ou jardins. Uma empresa multinacional de óleos e combustíveis, de origem holandesa tem como símbolo uma concha, dando reforço a ideia de fechamento e isolamento.

E então resta uma dúvida: se repetem seus atos por simples repetição de seus arquétipos, ou por se sentirem seguros com muros e muralhas a sua volta. Ainda que sejam cercas invisíveis e imateriais. Criam um campo magnético a sua volta com estratégias comportamentais e administrativas. Um arquétipo de suas origens e de suas tentativas de ocupação, com enfoque no território brasileiro, desde o tempo do Brasil Colonial, quando pretendiam ocupar territórios que produziam cana de açúcar, o produto valioso da época. O produto de valor nos dias de hoje é a informação e o conhecimento. Daí o grande investimento de instituições estrangeiras de ensino no Brasil. No século passado chegavam com know-how e agora chegam como Coach.

Na história do Brasil os holandeses se instalaram em Natal/RN, ocupando um forte. O Forte dos Reis Magos, um ícone turístico da cidade. Instalaram-se em Ares/RN, um pouco ao sul de Natal/RN. Ocupando uma ilha, a Ilha do Flamengo. Também se instalaram em São Gonçalo do Amarante/RN, onde promoveram um massacre até hoje relembrado em efeméride, conhecido como o massacre de Uruaçu, uma tentativa de impor sua cultura, seu domínio militar e religioso. E instalaram-se em Recife/PE, uma cidade escondida pelos arrecifes. 

Ventos barrocos trouxeram embarcações holandesas ao nordeste. Ainda hoje um vento barroco pode ser sentido pelas praias de Recife (Boa Viagem) e Jaboatão dos Guararapes (Candeias, Piedade e Barra de Jangada). Ventos e brisas marinhas que lembram, relembram ou remetem aos séculos passados. 

Natal/RN seria a Nova Amsterdã por desejos holandeses. Cidade que ocultamente lembra a presença holandesa em seu aeroporto comercial, conhecido pelo código internacional por NAT, sugerindo uma interpretação de New Amsterdan Terminal.

Hoje os tempos são outros e as invasões e ocupações são outras, mantendo os interesses comerciais, com o produto mais valioso para a época. E os arquétipos estão sendo repetidos por uma instituição que tem o nome de um nobre holandês, descrito nos textos publicados: “Dicotomia natalense” (Novo Jornal – Natal/RN em 12/mai/12); “Batalha na Avenida Roberto Freire” (Jornal de Hoje – Natal/RN em 30/jul/12); “Conflitos de gênero na Batalha da Roberto Freire” (Jornal de Hoje – Natal/RN em 20/ago/12); “Marketing de guerra na batalha da Roberto Freire” (Jornal de Hoje – Natal/RN em 27/ago/12). “Arengas históricas e quatro elementos” (Jornal de Hoje – Natal/RN em 17/set/12); “Trilogias da Gestão da Qualidade” (Jornal de Hoje – Natal/RN em 24/set/12); e “Mestre, doutor e acionista majoritário” (Jornal de Hoje – Natal/RN em 18/out/12).

A instituição espalhou-se pelo nordeste tentando impor suas ideias, tal como o combate em Uruaçu. Criou sedes e filiais mais rápido que instituições concorrentes, instaladas antecipadamente. Um novo ser, uma novata no mercado educacional que ainda não atingiu uma maioridade empresarial, para mudar de estado e procriar em outro. 

Nesta mesma avenida natalense, a Avenida Roberto Freire, a instituição tentou ou pretendeu ocupar em prédio abaixo do nível da pista. Tal como seus arquétipos. Por razões desconhecidas o prédio não foi ocupado. Talvez uma batalha de negociação tenha sido perdida ou outros interesses aconteceram, mudando as estratégias de ocupação. Maurício de Nassau foi um grande estrategista holandês.

Estes novos holandeses recifenses, depois de instalarem-se em REC ─ a sigla internacional para Recife/PE ─ repetiram atos de invasão e ocupação. Partiram de sua capitania em Pernambuco para conquistar outras capitanias educacionais, ocupadas por portugueses. Que com algumas comparações foram descritas no texto publicado: “Jota’s Club” (O Mossoroense – Mossoró/RN em 04/dez/12). Espalharam-se por cidades e capitais nordestinas, chegando a atingir a região Norte. Com facilidades de financiamento de creditos governamentais estudantis, plantaram alunos como quem planta cana de açúcar em agricultura extensiva. Com adubo e irrigação de vinhoto pretendem fazer fartas colheitas no campo educacional.

Observando a cidade de Recife/PE como território de ocupação é possível fazer analogias bélicas. Em algumas ocupações ao longo da história, os holandeses ocuparam espaços e construíram tuneis que davam acesos a outras ocupações e instalações. A instituição recifense holandesa vai se espalhando pela cidade de Recife sem um critério compreensivo, por vezes ocupam um prédio para logo em seguida desocupar. Levando a supor que existem túneis subterrâneos entre as unidades, já que dirigentes aparecem e somem dos espaços sem uma justificativa clara e aparente. 

Do espaço físico passamos para o espaço virtual. Buscando a tecnologia das comunicações, ou seja, as TICs. Torna-se possível perceber um emaranhado de links que não levam a lugar nenhum, no site institucional. Somente os ocupantes com um mapa do labirinto criado podem entender entradas e saídas para obter uma informação ou uma solução on line. Levam-se longos minutos de espera para descobrir que não pode ser atendido por aquele canal, um fosso em torno do castelo. Desperdiça-se tempo e bom humor, aguardando e reclamando do atendimento, que por certo não será melhorado e nem tão pouco respondidas as reclamações, encaminhadas a uma ouvidoria. Situações de epopeias começando no sertão, pompas e nomes pomposos floreiam e enfeitam o site da nobreza imperial.

No espaço físico ou no espaço virtual estes neo-holandeses, fixados em Recife com arrecifes, buscam um espaço para se esconderem da nova guerra mercadológica, onde clientes e não clientes atacam e tentam entrar no Castelo de Nassau. Esquivam-se de torpedos e SMS, com atendentes virtuais, ocultos por trás de uma tela de computador.

E nesta tentativa os consumidores e desbravadores, compreendidos e reconhecidos como invasores do castelo, podem desistir de entrar no castelo por não conhecer o labirinto que precisam trilhar, para chegar ao nobre estrategista atual, o Visconde de Muribeca, preso em sua própria concha (shell), isolado e encolhido.

Texto disponível em:


Links para textos citados:












Entre Natal/RN e Parnamirim/RN ─  11/11/2014



sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O avião como transmissão de conhecimento



O avião como transmissão de conhecimento

 O avião como uma TI - Tecnologia de Informação


O avião como meio de transmissão de conhecimentos e troca de informações. 


B707 da Transbrasil em Recife (REC).




Antes da disponibilização de passagens e espaços para cargas em um avião, uma serie de preparativos em terra se antecipam a uma decolagem. Uma logística de conhecimentos e empreendimentos. A escolha do aeroporto: do terminal inicial ao terminal final, escolhas dos destinos e das escalas necessárias. A escolha do equipamento (aeronave) a ser utilizado e quantidade de assentos disponibilizados; espaços para carga, e autonomia de voo. Avaliação dos volumes de carga em relação à quantidade de passageiros e tripulação. Dimensões máximas da aeronave, e cubagem dos espaços úteis.

Destinos e escalas para embarque e desembarque de passageiros; cargas e descargas de bagagens e encomendas; abastecimentos e reabastecimentos de combustível. Serviços de bordo para alimentação, diferenciados ou não. Acompanhamento de crianças e idosos, assistência a enfermos e portadores de deficiências diversas; planejamento para situações de emergência. Prioridades de embarque e desembarque, de carga e de descarga. Vistorias de itens de navegação e itens de segurança; escala do pessoal de bordo e escala do pessoal de terra, aeronautas e aeroviários. 

Definição e escolha do aeroporto de partida como um terminal. Um espaço físico onde se reúnem: aeronaves e cargas, serviço de bordo, pessoal técnico de abastecimento, manutenção e prevenção. Verificação de equipamentos e abastecimento; tripulação e passageiros; sistemas e equipamentos de embarque e desembarque; salas de embarques, desembarques e salões de espera. Locais para armazenamento de cargas, bagagens e encomendas. Estruturas de recebimento de cargas e passageiros. Sistemas de comunicações e meteorologia, controle de espaço aéreo com planejamentos e autorizações de voos. Comodidades e facilidades para tripulantes e passageiros.

Definido todo o aparato e procedimentos internos, de preparo para o voo, novos padrões de procedimentos acontecem. A disponibilização da oferta de espaços aos que desejam se utilizar do voo oferecido pela aeronave com voo programado. Definição das horas (time) de partida (departure), e de chegada (arrival). A partir da hora planejada e estimada da partida (ETD – Estimated Time of Departure), calculando distancias e destinos, vêm novas definições da hora de chegada em outro determinado terminal (ETA – Estimated Time of Arrival).

Depois de vendidas as passagens para um voo surgem e acontecem novas series de atividades com padrões e técnicas de procedimentos, até que o avião com tudo em ordem decole. Pouco antes da hora prevista de decolagem, mais procedimentos. Um check-in confirmando quem está presente ao aeroporto, e quem embarcará. E o recebimento das bagagens, separando as que seguiram no compartimento de bagagem, nos porões do avião, e as que seguiram na cabine de passageiros, junto com seus donos e/ou proprietários. 

Cargas e encomendas despachadas, combustível abastecido, a chamada para o embarque. Critérios são estabelecidos na ordem de embarque da aeronave; passageiros com crianças são prioridade, seguido dos idosos. Passageiros com deficiências têm condições diferenciais de embarque. Situações incomuns de necessidades distintas devem ser informadas com antecedência. Cargas vivas e cargas comuns, cargas perecíveis e não perecíveis, tem critérios de embarque e posições diferenciadas no transporte. Cargas perigosas não embarcam, pois podem colocar em risco o voo, o avião e as pessoas à bordo.
Chamada final, todos já devem estar a bordo, acomodar-se em seus lugares e aguardar a decolagem depois das ultimas instruções: sobre o avião, a companhia aérea e sobre o voo. A tripulação recebe os passageiros junto à porta de acesso, cumprimentando e agradecendo, um gesto de boas vindas, para uma viagem ao céu. Boas vindas com simpatia, e um sorriso demonstrando confiança e segurança na empresa, no equipamento e no voo.

Todos e tudo a bordo, preparar para decolar. Portas travadas e começa o movimento de taxi pelo pátio do aeroporto. A aeronave é mais pesada que o ar, precisa de um impulso para decolar, e tal como uma pipa é o vento que vai ajudar. Então o avião é conduzido pelo piloto para que se posicione no início da pista. Informações sobre a tripulação, condições de voo e itens de segurança são informados aos passageiros, de modo verbal e gestual, maiores informações encontram-se a disposição dos passageiros no porta-revista. Como proceder em caso de emergência e uma revista como marketing da empresa. Balas e chicletes podem ser oferecidos, para facilitar alguma variação de pressão durante a decolagem.

Com voo autorizado, a aeronave aumenta a potencia dos motores e desenvolve uma grande velocidade correndo contra o sentido do vento. Contra os princípios da navegação marítima, impulsionada pelo vento. E o avião e levanta voo contra o vento... Com as diferenças da velocidade do ar deslocado entre a superfície inferior e a superfície superior de suas asas provocando uma sustentação por uma diferença de pressão. O avião descola da pista e levanta voo, recolhe o trem de aterrissagem proporcionando um menor atrito, facilitando seu deslocamento.

Logo um serviço de bordo poderá ser servido, pelo grupo de comissaria. Um serviço aos comensais à bordo. De um simples petisco com um liquido; um lanche rápido com alimentos sólidos e líquidos; até uma refeição completa com direito a talheres e brindes. Uma confraternização a bordo, um sucesso da decolagem e uma alvíssara do destino.

A bordo do avião encontramos grupos de assentos ocupados, que lembram um arquivo. Ou tal como pentes de memória de um computador. Grupos de seres inteligentes, com cabeças pensantes vão para outros destinos levar seus conhecimentos. Em viagens a trabalho, turismo ou lazer, conhecimentos são transferidos entre terminais que funcionam como roteadores entre a cidade que ocupam e os destinos que oferecem.

Em breve os passageiros que viajaram, poderão retornar dos seus destinos às suas origens, onde embarcaram. Voltarão com novas ideias e novas visões. Novos conhecimentos a partir das novas visões e novas informações, proporcionando novos conhecimentos, que adquiriram por onde passaram, pelo que viram, ouviram e observaram. Atividades organolépticas proporcionam novos conhecimentos.



O avião como transmissão de conhecimento
O avião como uma TI - Tecnologia de Informação
O avião como meio de transmissão de conhecimentos e troca de informações.

Texto disponível em:






quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Estreitando laços com a comunidade

Estreitando laços com a comunidade

O ato de estreitar pode fazer uma aproximação de algo que pode estar separado, perto ou distante, muito perto ou muito distante, tudo depende de um referencial. Os laços ao mesmo tempo em que firmam a aproximação, podem ser desfeitos com facilidade. E comunidade foi um termo criado para substituir a palavra favela. Palavra que desde o inicio de sua significação, no Rio de Janeiro, representa algo meio arranjado, sem planejamento. Um conjunto de habitações sem critérios de planejamento urbano, sem infraestrutura de sistemas básicos para uma habitação. E com a hipótese muito provável, e comum, de serem encontradas ligações clandestinas. Ligações clandestinas de abastecimento de água e sistemas de esgoto. Sistemas de oferta e drenagem que são oferecidos pelo poder público. Alem de ligações clandestinas no abastecimento de energia elétrica, oferecido por empresas particulares. A tecnologia evoluiu e já se pode então encontrar outras ligações clandestinas: sinais telefônicos e sinais de TV a cabo. 

Comunidade foi um aperfeiçoamento da palavra favela, em uma transição para implantar sistemas organizados, no oferecimento de elementos básicos de higiene e saneamento. E a possibilidade de em algum momento ser considerado como um bairro. Surgiu então o termo Favela Bairro, com planejamento e organização. 

Portanto um estreitamento de laços com a comunidade é um modo ilustrativo de criar modelo de atuação e penetração, junto à população moradora das redondezas, vizinha ou circundante, de quem intenciona e planeja se aproximar, e alcançar alguns de seus objetivos. Objetivos que podem ser a captação de novos clientes.


Uma universidade tem uma obrigação legal e moral, educacional, de fazer um link com a população, a sociedade. Alem de formar e informar os seus alunos, tem por um de seus objetivos, levar o conhecimento a uma população que não frequenta seu campus, socializar o conhecimento. Fazer uma troca de velhos conhecimentos e novos conhecimentos. Levar um conhecimento acadêmico à população. Levar o conhecimento internalizado, através de seus alunos, trabalhando com aulas práticas, junto à população. Com este conhecimento oferecido, a população fará um feed back, com respostas às atividades implantadas. Ao mesmo que a população recebe uma informação, ela informa suas dificuldades em saber ou lidar com aquela informação.

Ao mesmo tempo em que a população recebe um conhecimento. Esta mesma população gera um conhecimento, um saber nato. Gera novas ideias e novas interpretações. Em contra partida nos gastos de implantação das atividades de eventos externos, a faculdade pode angariar pessoas, fortalecendo sua marca e sua imagem. E conseguir novos alunos, que desejam saber e conhecer aquele conhecimento internalizado. 

A ordem atual das fundações de amparo à pesquisa e instituições de fomento à pesquisa, é a socialização do conhecimento, contido nas universidades. Um conhecimento que deve ser difundido, e de uma maneira tal, que os menos favorecidos em obter, possam ter algum beneficio e participação, neste conhecimento.

Rio de Janeiro/RJ ─  08/10/2014