terça-feira, 10 de junho de 2014

Sinais e sintomas



Sinais e sintomas

Aparição dos sinais, as causas. Pode até ser preocupante sua necessidade em trocar a caneta pelo tacho. O desejo e a vontade de inventar, de criar, de experimentar, novas e antigas receitas. Exercer suas organolepcias talvez esquecidas. Trocar o fogo na mente pelo fogo rente ao chão. Quem sabe isto não é um reinicio ou uma provocação. Uma provocação do inconsciente, do seu lado ausente, seu lado dia em contraponto ao seu lado noite. Algo que provoque uma necessidade em mexer e remexer com o além da mente, a partir dos usos dos elementos: terra, fogo, água e ar. Quatro elementos que misturados e entrelaçados com exatidão chegam a uma quinta essência, uma nova emoção.

A colher exercendo a função de caneta e o tacho a função do papel. Com metais e madeira sobre o fogo alimentado pelas toras de madeira, ou por ares de gases combustíveis. A colher de madeira escrevendo e descrevendo círculos, que começam e terminam no mesmo lugar, no fundo das panelas metálicas, ricas em cobre e ferro, provocando redemoinhos no liquido borbulhante. Enquanto descreve desenhos vistos por outros olhos, descreve desenhos na mente que os outros olhos não enxergam e nem imaginam.

Por outros momentos a força que conduz a colher, abandona os desenhos constantes de círculos, e descreve o símbolo do infinito (∞). Com o número oito deitado, ou a letra n significando o eterno, o infinito, o indeterminado.

O fogo contrasta melhor com a escuridão da noite. Ganha uma vida na escuridão, e da vida à escuridão, mostra imagens não vistas escondidas na penumbra sem exatidão. Com seus tons multicoloridos, e o estalar da lenha virando carvão. Do carvão em brasa vermelha ao pó das cinzas, um processo de transformação.

Os sintomas. Os temperos temperam a comida e a vida. No ato de cozinhar os teores de sal e de açúcar, de amargo ou azedo, leve ou picante. Temperos estão sob o domínio de os administra ou de quem os usa. Só quem tempera uma comida saberá dizer se os temperos estão combinando ou equilibrando os sabores que percebe da vida. Na mesa cada qual terá uma opinião, a partir de seus saberes e de seus sabores.

Comer muito ou pouco, quem come a metade deixa algo para depois. Quem come pela metade, vive a metade, experimenta apenas a metade. E ao voltar para comer a sobra deixada, estará deteriorado, o alimento e o comensal. Intemperizado, talvez mastigado por outro ou outros, visíveis e invisíveis. Coma um ou uma ao invés de dois ou duas, mas nunca a metade de um(a).

Aparição dos sintomas. As noites em claro nos levam a pensar. O fogo e o pensar pelas noites. As inúmeras noites se reservam ao pensar, descansar e renovar. Para então no dia seguinte inovar, gritar e aclamar uma vitoria. Não importa o idioma, todas as noites, as inúmeras noites levam ao infinito, a um numero indeterminado do infinito.
As noites são formadas pelo número n de indeterminado mais o numero oito de infinito (∞): em alemão, Nacht (n + acht – 8 ou ∞); em espanhol, Noche (n + ocho – 8 ou ∞); em frances Nuit (n + huit - 8 ou ∞); em inglês, Night (n + eight – 8 ou ∞); no italiano, Notte (n + Otto - 8 ou ∞); e no português, Noite (n + oitos - 8 ou ∞) ........ n + 8 ou ∞.

Até os planetas tem seu lado dia e seu lado noite. A Terra ora vê o Sol, ora vê as estrelas. Horas vendo a luz e horas vendo a escuridão, um equilíbrio a tudo e a todos.

O fogo ferve a água por intermédio de um elemento da terra, um metal ou a própria terra com suas partículas de metais, com panelas de metal, de pedra, e de vidro; de barro ou argila. Do contrário, sem um recipiente terra, a água elimina o fogo.

Diminuição dos sintomas. Acrescentar água, e por fim acrescentar mais água. A água corrente que lava a alma, o corpo e os utensílios, cortando a ação do fogo. Esfria a mente e as mãos que remexeram e mexeram as panelas. O silencio ao lavar as mãos e os utensílios vão rearrumando os pensamentos, à medida que também vão sendo lavados e colocados sobre o escorredor para a gravidade retirar os excessos, escorrendo como lagrimas.

A água também faz bem para os rins, os órgãos que representam a dualidade, um par, um de cada lado ou lado a lado. E as águas que por ali passam retiram as impurezas e as mágoas que ficaram depositadas.

Diagnóstico: Renascimento. Doença crônica com momentos de situações agudas. Ações sequenciais tal como dias e noites, invernos e verões, outonos e invernos. Há pequenos verões no meio dos invernos e pequenos invernos em meio aos verões.

Indicações para o tratamento: o tempo


Texto disponível em:

Entre Natal e Parnamirim/RN ─  10/06/2014







Texto produzido para: Blogs
Traduzir situações
Palavras Chaves: gestão; qualidade; conhecimento

Palabras Clave: gestión; la calidad; el conocimiento

Key Words: management; quality;  knowledge




CMEC/FUNCARTE
Cadastro Municipal de Entidades Culturais da Fundação Cultural Capitania das Artes

Natal/RN




Roberto Cardoso






Votação

JULHO a OUTUBRO de 2014

Informática em Revista-Natal/RN

Candidato
DESTAQUES DO MERCADO - INFORMATICA 2014
Categoria: Colunista em Informática
Categoria: Segurança da Informação



INFORMÁTICA EM REVISTA |ANO 8 | Nº 89 |PAG 20
 DEZEMBRO 2013 | NATAL/RN
PRÊMIO
DESTAQUES DO MERCADO - INFORMATICA 2013
Categoria Colunista em Informática





Cientista Social
Jornalista Científico
Reiki Master & Karuna Reiki Master


Colunista/Articulista
Informática em Revista - Natal/RN
Informática em Revista - João Pessoa/PB

Sócio Efetivo do IHGRN
(Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte)


Link Curriculo Lattes














quarta-feira, 4 de junho de 2014

As desconstruções do conhecimento (parte 2)

As desconstruções do conhecimento (parte 2)

A principal historia contada, reconhecida e oficializada da ocupação do Brasil. A descoberta do Brasil é atribuída aos portugueses, tendo como personagem principal Pedro Álvares Cabral, constando em documentos escritos ter aportado com sua esquadra por estas terras no ano de 1500. Avistou, aportou e desembarcou; marcou, implantou uma cruz, rezou e tomou posse. No ano que se da inicio a uma historia oficializada, a história que se tornou oficial do Brasil. Teve como a certidão de nascimento e primeiro documento escrito a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal. O escrivão da frota que escreveu a famosa carta a partir de seus pontos de vista, seus conhecimentos e atribuições, funções e emoções.

Quando Cabral chegou ao Brasil, os índios que aqui habitavam possuíam um conhecimento. Um saber transmitindo experiências acumuladas por gerações e gerações. Quer seja pelo uso de sua linguagem com palavras e sinais, ou mesmo por gestos e atos de realização e confecção de fatos e artefatos. Ensinando uns aos outros em atividades, ou seja: a prática pela prática de quem ensina e de quem aprende. A práxis da transformação do ambiente, daquilo que a natureza ofertava.

Os navegantes portugueses chegaram ao denominado Novo Mundo, vindos da Europa, onde ficou denominado como o Velho Mundo. Dominavam a arte de ler e escrever, cantar em versos e prosas, a arte de pintar e retratar, falar e representar. Sabiam como transmitir ideias pela escrita, e por pinturas em telas. Em cantos e musicas, orquestradas ou não. Enfim possuíam mídias que podiam ser transportadas, transferindo e levando um conhecimento a quem interessava saber.

A carta de Pero Vaz de Caminha foi o primeiro registro sobre as novas terras. Este e outros relatos escritos inspiraram pintores a colocar sobre telas o ambiente e o habitante das novas terras, em terras de além mar. Criando assim ideias e imagens para quem não participou das novas descobertas. O conhecimento foi transmitido por textos e imagens a quem estava longe destas terras. Uma tela tem a inspiração e as ideias do pintor, junto com suas alegrias e tristezas do momento.

A denominação de mundos, um novo e outro velho, já dá um posicionamento diferenciado entre os dois mundos. Navegadores portugueses partiram de um mundo entendido como civilizado e chegaram a terras indígenas onde não reconheciam o seu Deus, já pintado em telas e reconhecido em textos. Uma situação de inferioridade e imaturidade, do novo Mundo, a partir do ponto de vista que os mais velhos, como o Velho Mundo, detêm um conhecimento e uma experiência, uma vivencia. E o conhecimento do indígena foi submetido ao conhecimento daqueles que se denominaram descobridores e desbravadores das novas terras. O conhecimento do Novo Mundo ficou subordinado ao conhecimento do Velho Mundo. Uma caravela com velas estendidas, estampadas e estufadas ao vento já foi uma imposição diante canoas esculpidas em troncos, movidas por remos e varas. A roupagem do oficialato da frota cabrália diante índios nus e seminus foi outra imposição.

O indígena não tinha memórias escritas, construía uma história oral contada pelos também mais velhos de geração em geração, entre musicas e cantos praticados em momentos especiais com instrumentos rudimentares, a partir do ponto de vista do eurocentrismo. E boa parte do conhecimento indígena, o povo nativo das atuais terras brasileiras foi excluído, desconstruído, diante das estratégias midiáticas de informação que poderiam levar de volta, ao local de onde partiram notícias das novas terras.

Entre Natal e Parnamirim/RN ─ 19/05/2014
Texto produzido para:
Jornal Metropolitano
Parnamirim/RN
 
Palavras Chaves: gestão; qualidade; conhecimento
Palabras Clave: gestión; la calidad; el conocimiento
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As desconstruções do conhecimento (parte 1)

As desconstruções do conhecimento (parte 1)

Deus apresentou e ofertou a Moisés as taboas com as novas leis. As novas regras que deveriam ser cumpridas a partir daquele momento. Revogando todas as disposições contrarias e regras anteriores. Regras que deveriam ser cumpridas em respeito a autoridade máxima do conhecimento, o Criador.

A tomada de Constantinopla (1453) mudou a história do mundo a partir da Europa e o destino daqueles que habitavam o continente sul-americano, até então, supostamente desconhecido. Constantinopla a meio caminho da Europa e da Ásia foi ocupada (29/05/1453), por invasores vindos da Ásia, a Leste. Fato que obrigou alguns países, mercadores da Europa, a procurar outro caminho para chegar as Índias em busca de saberes e sabores que os diferenciavam uns dos outros. Lançaram-se ao mar: Cabral partiu o rumo ao Sul e Colombo rumo ao Oeste. Uma mudança de paradigma, a necessidade em obter as especiarias os obrigou a sair da Europa, pelos mais diversos motivos: descobrir um caminho marítimo ou provar que a Terra é redonda.

A cultura de um povo se constrói a partir dos seus hábitos e costumes começando pelo que usa como alimento, como prepara o alimento e como se alimenta. Entre animais e vegetais, e mais alguns minerais, inúmeras misturas e combinações associadas ao modo e ordem de preparo podem ser feitas criando-se uma culinária típica de um povo. Conhecimentos de saberes e sabores europeus foram alterados, tomaram outros rumos com a ocupação de Constantinopla. Vieram novas necessidades e novos desafios. Seus conhecimentos foram destruídos e desconstruídos, levando a uma necessidade de reconstrução de conhecimentos, associados ao passado e ao futuro, entre os novos e os antigos saberes e sabores.

Todo ponto de vista é a vista de um ponto. A partir do lugar onde viveu e conviveu, onde realizou experiências, vivencias e convivências. O local onde construiu seus conhecimentos e realizou seus estudos e suas pesquisas, na sociedade em que cresceu e pertenceu. O homem é resultado do meio onde vive e onde se forma. O homem transforma o meio e o meio transforma o homem, sendo o meio mais forte que o homem.

Duvidas sempre ficarão na história: O Brasil foi descoberto pelos portugueses com a chegada de Pedro Álvares Cabral? Ou teriam os índios habitantes do litoral, encontrado Cabral e sua esquadra à deriva, perdidos no litoral brasileiro? A primeira chegada ao Brasil teria acontecido no atual litoral da Bahia ou no atual litoral do Rio Grande do Norte? E os vestígios indecifráveis supostamente fenícios? Quando teriam passado por estas terras? Seriam resultados de visitas pelo mar em longas viagens com embarcações? Ou vestígios de quando os continentes eram mais próximos?

Cada qual contara a sua historia, sob o seus pontos de vistas: o de quem chega, o de quem parte e o de quem fica. O de quem passa e não fica, e os de quem recebem visitantes e ocupantes. Todo ponto de vista é a vista de um ponto, e cada um enxerga a partir do lugar onde pisa, com seus saberes e sabores adquiridos ao longo de uma existência.

Ciclos se repetem: vegetal, animal e mineral. Deus criou primeiro o céu e a terra compostos de minerais. Depois criou os vegetais, os frutos e as sementes. Daí então criou os seres vivos animais. Os europeus saíram de suas terras onde já exploravam minerais. Navegaram e avistaram terras cobertas de matas, encontraram índios e animais, e se encantaram com os minerais.

Descobridores amistaram-se com os índios, para descobrir animais, vegetais e minerais. Levaram aves e animais exóticos ou desconhecidos. Exportaram o pau Brasil, e passaram a exportar ouro e pedras preciosas. A história do Brasil antigo se divide em ciclos: animal, vegetal e mineral, da escravatura, da cana de açúcar, e do ouro.

Entre Natal e Parnamirim/RN ─ 19/05/2014

Texto produzido para:
Jornal Metropolitano
Parnamirim/RN


Texto publicado:
Jornal Metropolitano
Parnamirim/RN

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CMEC/FUNCARTE
Cadastro Municipal de Entidades Culturais da Fundação Cultural Capitania das Artes
Natal/RN

A desconstrução do conhecimento (3)



A desconstrução do conhecimento (3)
Texto publicado no O jornal de HOJE em 02/06/14
http://issuu.com/jornaldehoje/docs/02062014?e=4883617%2F8102598


Antonio Gramsci (Itália:1891-1937) escrevia anotações para serem jogadas no lixo ao final do dia. Pierre Bourdieu (França:1930-2002) escreveu um livro para ser queimado. As anotações de Gramsci renderam pelo menos uma dezena de livros como fonte original e primaria, a partir de seus escritos carcerários. Outros tantos foram escritos como conhecimento secundário. E a maior expressão dos estudos gramscianos, no Brasil foi Carlos Nelson Coutinho (1943-2012).

Bourdieu foi a maior expressão na sociologia dos últimos tempos. Um filósofo que se converteu em sociólogo. Rendendo novas interpretações no campo da sociologia e principalmente na educação. Suas ideias começaram a ser divulgadas no Brasil na década de 1970. No ano de 2013 foi realisado em Natal/RN o “Simpósio Internacional sobre Pierre Bourdieu e a Educação” na UFRN, com apoio da CAPES e Universite de Paris.

Além dos tradutores de seus livros (Bourdieu), mais três nomes de conhecedoras da obra e das teorias boudiesianas: I. Barreira, S. Baptista e T.C. Franco Santos. Três enfermeiras atuantes, no ensino de graduação e pós-graduação da EEAN - Escola de Enfermagem Anna Nery da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Três docentes, mestres, doutoras e pós-doutoras. Enfermeiras PAN (Padrão Anna Nery) orientadoras no curso de pós-graduação da EEAN/UFRJ. Por intermédio do Núcleo de Pesquisa em Historia da Enfermagem Brasileira (NUPHEBRAS), com sede no prédio histórico da EEAN. Conduzindo mestrandos e doutorandos em analises do campo social e educacional da enfermagem. Estudam, apoiam e constroem artigos, teses e dissertações, com aplicações de teorias, ideias e pensamentos, de Bourdieu, Hobsbawm e Nobert Elias, dentre outros.

Obervando as bibliografias, imaginando os meios e as épocas que viveram (Gramsci e Bourdieu) é possível imaginar seus pensamentos e suas afirmações.    Considerando que Gramsci escreveu anotações para serem jogadas fora; e Bourdieu escreveu um livro para ser queimado. Este simples conjunto de artigos, alheio a mídia científica, deverá ser minimamente ignorado. Desprezado pelas elites intelectuais e acadêmicas, detentoras e controladoras da construção do conhecimento.

Enquanto um (Gramsci) foi um escritor solitário, fez grande parte de seus escritos em um período carcerário. E tal como Karl Marx não fez carreira na academia. O outro (Bourdieu) foi um membro da academia francesa, lecionando em faculdades, escrevendo e publicando artigos científicos, dirigindo revistas cientificas. A partir dos exemplos citados aqui, nota-se claramente que a produção intelectual pode ser inversamente proporcional à construção de uma carreira acadêmica.

A construção de um conhecimento sofre controles: de poder e de status. Poderes que visam uma permanência de pessoas em determinadas posições, em diversos pontos da pirâmide construída. Aliás, os modelos em forma de pirâmide, já são ensinados desde as teorias gerais no inicio da educação acadêmica. Para que cada um, desde cedo saiba sua posição perante os outros. Construídas e ensinadas para que cada um perceba que será necessário muito esforço para atingir o topo.

Qualquer aluno ou orientando que tenha outras opiniões, ou soluções diferenciadas do professor ou orientador, já é suficiente para não obter uma nota máxima em um TCC ou monografia; não defender uma dissertação ou tese; não escrever um ensaio ou artigo científico.

Um TCC, uma monografia, uma dissertação ou uma tese segue regras e critérios. Regras e critérios para que o mestre e a banca de avaliação possam entender o desenrolar do pensamento daquele que defende uma ideia, o orientando. Regras que beneficiam o orientador e a banca. Até uma prova de múltipla escolha é um beneficio ao professor. Evita outras e novas interpretações alem das oferecidas.

Bourdieu produziu uma ciência incômoda, e costumava dizer: o que o mundo social fez, o mundo social pode desfazer. E assim o mundo social vai construindo e desconstruindo os conhecimentos.


Entre Natal e Parnamirim/RN ─  31/05/2014







Texto produzido para:
O Jornal de HOJE – Natal/RN
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sábado, 10 de maio de 2014

A desconstrução do conhecimento (2)

A desconstrução do conhecimento (2)

O escalonamento do aprendizado e do conhecimento é dividido em três graus, três etapas, três estágios, do básico ao superior. Do primeiro grau ao terceiro grau, onde termina e determina uma graduação. O que vem depois é denominado com algo posterior, além do tradicional, um pós-conhecimento, a pós-graduação, já indicando que não é para todos. Apenas para aqueles que desejam, e podem ir além.

A princípio o escalonamento do conhecimento é dividido em três degraus; alto, baixo e mediano; alto, baixo e médio; tal como três classes sociais, alta, média e baixa. Um modo de diferenciar uns de outros, estabelecendo os extremos e admitindo uma classe mediana. Tudo se nivela por três patamares, até a administração pública com os governos: municipal, estadual e federal, um sobrepondo o outro. O topo da pirâmide controla a base e o intermediário. O homem sempre procurou estabelecer três níveis aos seus conceitos, de modo consciente ou inconsciente: Pai, Filho e Espírito; alma, corpo e mente. Tal como os estados da matéria: gasoso, liquido e sólido O liquido é um estado intermediário entre o solido e o gasoso, e permite uma visualização de suas misturas, que podem se tornar homogêneas, diferente dos sólidos que podem se tornar homogêneas ou heterogêneas, dependendo dos pontos de vista das analises.   

Um ser mortal e comum, primeiro conclui o curso fundamental, ou primeiro grau, onde se conclui que obtenha conhecimentos fundamentados e fundamentais. Após o curso fundamental ingressa no curso de nível médio, por outras vezes, também chamado de segundo grau. Onde se conclui que termine com um conhecimento mediano, diante do proposto em três etapas, atingida com o terceiro grau ou nível superior, onde há uma solidez, uma graduação. O estudante começa por um estado gasoso, passa ao estado liquido e chega ao estado sólido. Os líquidos se misturam com facilidade, daí hoje a sociedade ser considerada liquida. Com novas regras e opções de mercado, se faz uma sublimação chegando rapidamente a outro estado, em pouco tempo vai-se do gasoso ao sólido, do nível fundamental ao nível superior e além.

Terminadas as duas primeiras etapas, então poderá almejar uma faculdade obtendo uma graduação, onde se tornará um cidadão graduado, diferenciado dos outros. Tornando-se um bacharel ou um licenciado em determinada área do conhecimento, solidificando seus conhecimentos. Terminado o curso de nível superior terá direito ao conhecimento e reconhecimento, respaldado por diplomas e honras, com rituais e memoriais.

Um estudante seguindo o tramite legal, formal e temporal da educação leva ou levaria anos para concluir a graduação, a obtenção do diploma de bacharelado. Com mais alguns anos depois de bacharel, um diploma de especialista (lato sensu). Depois mais alguns outros anos a percorrer para obter primeiro um título de mestre, e seguidamente depois obter um título de doutor (stricto senso). Pós-graduação não cofere diplomas, confere títulos de especialista, mestre e doutor. Títulos de saber e conhecimento em um determinado tema específico; especialistas, mestres e doutores em determinado assunto. E por muitas das vezes não é a especialidade da banca de avaliação.

Uma inundação de faculdades com cursos denominados tecnológicos invadiu as cidades. Proporcionou uma conclusão do nível superior em menor tempo. A grande chamada aos cursos tecnológicos foi a possibilidade obter um curso superior em menor tempo; prestar concursos públicos que exigissem nível superior; e uma possível entrada no mercado de trabalho antes de prazos mais extensos da graduação.

Cursos voltados ao mercado de trabalho. Grades curriculares montadas de acordo com as necessidades apresentadas pelas empresas que foram consultadas e requisitadas. Mas mudanças conceituais e mercadológicas são dinâmicas. As fabricas produzem produtos com quantidades, qualidades e finalidades de acordo com a demanda e oferta do mercado. Fato que não é corrigido dentro dos cursos preparatórios para o mercado de trabalho. Cursos preparatórios com status de faculdade. O conhecimento é uma mercadoria renovável, ótima mercadoria para instituições escolares, uma mercadoria de pouco tempo de prateleira.

Depois do incentivo governamental para fazer cursos técnicos, pregou-se que o conhecimento técnico não era mais suficiente. Não bastou ser técnico para ocupar um espaço intermediário entre a produção e a coordenação, entre a base e o topo da pirâmide, seria preciso ser tecnólogo. A pirâmide foi redimensionada e adaptou-se o espaço do tecnólogo. Desconstruiu-se o que estava construído.

Pelas ruas e avenidas, em faixas e cartazes, ou distribuição de folhetos é possível encontrar oportunidades para fazer e concluir o primeiro grau em alguns dias, o segundo grau com ou sem especialização em alguns meses. Em mídias mais restritas e mais expensas (outdoor e busdoor), com maior apelo mercadológico; jornais e revistas para públicos mais específicos, já encontramos oferecimentos de cursos superiores com conclusão em reduzido espaço de tempo. Incluindo-se os cursos à distancia (EaD), com raras atividades presenciais, a não ser para mensurar conhecimentos. E continua-se a desconstruir o conhecimento construído. Quanto mais fácil o acesso a um titulo escolar, maior será a sua desvalorização proporcionada por uma “inflação de títulos” (Bourdieu).





Entre Natal e Parnamirim/RN ─  10/05/2014






Texto escrito para: Jornal de HOJE