domingo, 1 de dezembro de 2013

Construindo o conhecimento (2)

Construindo o conhecimento (2)



Alguns professores, mestres e doutores, em universidades públicas trabalham em regime de DE (a dedicação exclusiva). As universidades proporcionam estruturas e infraestruturas (nem sempre satisfatórias), fomentos e investimentos, para pesquisar e produzir conhecimento. É o governo através de seus servidores investindo e produzindo conhecimento, uma estratégia da política de defesa nacional. A academia tem papel importante produzindo conhecimentos, rompendo com os limites da verdade, levando a criação de grupos de estudos especializados em assuntos de defesa nacional, como a ABED.

È possível observar faculdades particulares com professores em regime de DE, sem contanto possuírem um núcleo de pesquisas, um simples NUPES que produza um conhecimento. Não há motivação e incentivo para uma produção cientifica, não há uma revista cientifica como espaço e recurso de divulgação da produção cientifica, não só do corpo docente, mas também do corpo discente envolvido em pesquisa. Em contra partida cobram cada vez mais do corpo docente atualização e conhecimento.

Instituições particulares quando muito criam revistas cientificas que se preocupam em estabelecer critérios de seleção e exclusão de autores. Criam um grupo de consultores (ad hoc) que se posicionam como detentores de um conhecimento e poder de apontar quem pode e quem não pode escrever; quem tem e quem não tem algum saber. Fortalecem as disputas de títulos e canudos, a luta de todos contra todos, promovendo a arte de esperar aos que não atingiram os degraus superiores.

Poucos são os professores que produzem conhecimento. De um grupo de nomes, pesquisados na internet, dentro de um contexto estabelecido a “Batalha na Avenida Roberto Freire” (Jornal de Hoje em 30/jul/12), apenas um nome despontou com produção cientifica: Mirna Santiago (MSG), citada em “Construindo o conhecimento (1)” - Jornal de Hoje em 25/11/13.
As comunicações e as artes estão em convergência, esclarece Lucia Santaella em seu pocket book: “Porque as comunicações e as artes estão convergindo?” (Paulus, 2008). E MSG antes de produzir um trabalho na academia, é uma artista com produção poética. Ainda é uma cinéfila, com o controle na mão, podendo adiantar ou rever a historia de acordo com o seu comando. Qualquer pessoa nascida a partir de 1980 está imersa em um oceano de informações dificultando a separação de comunicação e cultura, com a produção sendo um trabalho de um conjunto de comunicações e interações, uma teoria sintetizada do pocket de Martino em “Comunicação: troca cultural?” (Paulus, 2005).

A nova ordem social é a popularização da informação, a divulgação do conhecimento, não importando se o texto é em linguagem formal ou coloquial, em uma escrita poética de versos ou prosa, literária ou jornalística. E um grupo deve se ocupar desta missão.

Não são mais necessários textos científicos ou acadêmicos, obedecendo a critérios e formatações determinados por entidades classificadoras ou normatizadoras. O mais importante no momento é a disseminação e divulgação do conhecimento, e não importa que seja publicado na íntegra ou de modo capitular, em doses homeopáticas.

Problematizações, procedimentos racionais e sistemáticos era a ordem acadêmica com a visão cientifica. A ordem social agora é outra (FAPERN/CNPq – Curso de capacitação em jornalismo científico. UFRN, outubro/2012). O cientificismo e o academicismo vêm perdendo espaço com a velocidade das informações. Não há tempo para cumprir regras, normativas e conformidades, apenas prazos, para divulgar o conhecimento, apropriando-se das tecnologias da informação e comunicação - TICs.

O mundo esta olhando para o Brasil, basta observar o que vem acontecendo: Copa do Mundo no Brasil, a Igreja Católica representada pelo Papa reuniu-se com os jovens no Rio de Janeiro. Jogos olímpicos programados para acontecerem no Brasil. Uma novela com o tema diamantes e salinas, praias e belezas, do RN já rodou e foi exibida no Brasil, agora esta correndo o mundo. Um boom imobiliário acontece nas cidades, e a modificação do mobiliário urbano com as obras de mobilidade e acessibilidade. Em breve deve acontecer um Black Friday das reservas minerais e energéticas.

As 200 maiores minas produtoras brasileiras (The 200 Largest Mines in Brasil) já foram listadas pela revista Minérios & Minerais (out/2013), fornecendo informações de localização, produção em 2012, investimentos, produtividade, equipes gerenciais e segurança. Uma relação de minérios um por um de amianto a zinco, com pedra britada e argila, ouro e diamante. O Brasil foi ponto estratégico na Segunda Guerra e continua sendo, agora com Barreira do Inferno (RN) e Base de Alcântara (MA), pontos próximos à linha do Equador que facilitam o lançamento de foguetes.

Fica claro que é necessário estar preparado para receber os passageiros estrangeiros que desembarcarão no novo aeroporto (SGA) trazendo em suas bagagens, seus conhecimentos e suas ideias, suas propriedades intelectuais originadas em outros ambientes, principalmente no hemisfério que norteia os conhecimentos. È mais fácil invadir um país verticalmente do que horizontalmente, e Amarante é a resposta literal.

Já é possível fazer o grau em alguns dias, o 2º grau em alguns meses e o 3º grau em alguns semestres, com os CSTs, entre quatro e cinco semestres. A dicotomia acadêmica da crise e da pressa instalada no país.  Cursos relâmpagos disparam um flash nos alunos que terminam o curso sem a certeza de ter um aprendizado, tornam-se presas fáceis de cursos de pós-graduação que prometem um aprendizado maior, um aprendizado de conceitos e de valores que deveriam estar na graduação. O poder vem vendendo cursos superiores à prestação. O que era cursado em quatro ou cinco anos agora pode ser adquirido em parcelas de CST e especialização.

Uma gama de conhecimento é deixada de ser ofertada a aqueles que frequentam cursos rápidos, com a popularização do conhecimento, temas dos cursos superiores devem ser passados em linguagem aberta dirigida a um publico estereotipado. Novas profissões deverão surgir a partir da informação e do conhecimento articulado por cada um, suas ideias e suas emoções. “Crie sua profissão” (Galileu Nº 267, out/2013. Ed. Globo).

Roberto Cardoso
(Maracajá)

ESTRATEGISTA

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